
Moulin Rouge!: o escritor, o amor e a boemia – por Ivi Costa
Lançado em 2001 e dirigido por Baz Luhrmann, Moulin Rouge! (Moulin Rouge! – Amor em Vermelho, em português) decididamente é um filme que não podemos deixar de ver tanto para aqueles que gostam ou não de ópera!
O seu enredo foi inspirado em três óperas/operetas: La Bohème (Giacomo Puccini), La Traviata (Giuseppe Verdi) e Orphée aux Enfers (Jacques Offenbach). A história acontece em 1899 e seu protagonista é um jovem poeta chamado Christian (Ewan McGregor), que desafiando o autoritário pai, parte para Paris - lar dos boêmios. Chegando lá conhece Toulouse (John Leguizamo) e sua trupe e o melhor de tudo, o famoso Moulin Rouge que nada mais é do que um glamoroso salão de dança, além de clube noturno e bordel repleto de belas e voluptuosas dançarinas de cancan. Será nesse cenário que Christian encontra e se apaixona pela mais bela e disputada cortesã do salão: Satine (Nicole Kidman).
Elenco:
Ewan McGregor …. Christian / Nicole Kidman …. Satine / John Leguizamo …. Toulouse-Latrec / Jim Broadbent …. Zidler / Christine Anu …. Arabia / Richard Roxburgh …. Duque de Monroth / David Wenham …. Audrey.
Curiosidades:
— Foram necessários quase dois anos para o término das filmagens de Moulin Rouge!.
— Moulin Rouge! foi o primeiro musical em 23 anos a ser indicado para o Oscar de melhor filme. A última indicação nesta categoria que o gênero recebera foi em 1979, com O Show Deve Continuar. Curiosamente, a canção The Show Must Go On (O show deve continuar) da banda inglesa Queen é utilizada no filme Moulin Rouge!.
— O filme ocupa a 25ª colocação na Lista dos 25 Maiores Musicais Americanos de todos os tempos, idealizada pelo American Film Institute (AFI) e divulgada em 2006.

Inovação e familiaridade – por Lucas Gesser (do blog Sonorize)
Ousada e inovadora: eis aí a melhor definição para a trilha sonora de Moulin Rouge!.
Com sua grande vocação para o exagero, o espalhafatoso e o deliciosamente pop, Baz Luhrmann, diretor e idealizador de todo o filme, conseguiu aqui realizar uma das tarefas mais complicadas que alguém poderia ter se proposto dentro da indústria do cinema hollywoodiano: unindo bom gosto à excentricidade, reunir e reler algumas das mais famosas músicas da indústria fonográfica e usá-las como fio condutor de uma bela e trágica historia de amor.
O sucesso de tal proposta é latente em cada nota cantada, em cada frame projetado em Moulin Rouge!; e, acredito eu, que muito mais do que sua fotografia impecável ou linguagem ousada, é essa trilha sonora tão inovadora e ao mesmo tempo familiar e completamente inédita que torna Moulin Rouge! aquilo que toda grande história de amor deve ser: universal.
Musica Inesquecível:
Ah, como foi precisa a escolha de transformar “Roxanne” do The Police em um dramático tango que ilustra de forma perfeita o momento da grande prova de amor de Satine, personagem de Nicole Kidman!
El Tango de Roxanne é, pra mim, o ponto alto de Moulin Rouge!.
Menção Honrosa:
O que dizer da hipnotizante performance de Nicole Kidman, no auge de toda a sua beleza, cantando um medley de “Diamonds Are The Girls Best Friends” e “Material Girl”
Para o medley intitulado “Sparkling Diamonds” fica a nossa menção honrosa.

Baz Luhrmann e o musical contemporâneo – por Vanderson Santos
Em 2001, os filmes musicais enfrentavam um limbo em Hollywood. Parecia um gênero esquecido: quase nenhum filme com diálogos cantados chegavam ao público e até mesmo os desenhos da Walt Disney Pictures pareciam ter abandonado os personagens cantantes, marca registrada dos grandes clássicos do estúdio. Entretanto, foi necessário um olhar estrangeiro para que os EUA descobrissem o potencial de um gênero quase morto (ironicamente criado em solo norte-americano), a partir da inovadora mistura de canções modernas inseridas num contexto determinado (França, fim do século XIX) e de uma estética ousada e ultramoderna. O responsável por tudo isso foi o australiano Baz Luhrmann.
Música e ousadia não são novidades para o cineasta. Foi com um filme pequeno, mas incrivelmente poderoso que Luhrmann passou de ilustre desconhecido para o time dos grandes do cinema mundial. Vem Dançar Comigo, de 1992, tornou-se mania mundial e foi, naquela época, o independente queridinho dos cinéfilos (aquele filme barato que passaria despercebido se não fosse o boca a boca do público e a boa acolhida da imprensa). Hollywood, sempre atenda aos talentos revelados nos mais diversos cantos deste mundo, não perdeu tempo e escalou o cineasta para comandar uma inusitada adaptação da maior história de amor de todos os tempos, Romeu e Julieta, de William Shakespeare. No elenco, Leonardo DiCaprio e Claire Danes defenderiam o casal de protagonistas e Luhrmann empregaria seu talento num filme visualmente moderno, mas que manteria os diálogos originais de Shakespeare. A empreitada funcionou, e o filme foi um tremendo sucesso, em especial entre os jovens fãs do casal de atores, os favoritos de dez entre dez adolescentes em meados da década de 1990.
Com um portfólio de excelência inquestionável, Baz Luhrmann tornou-se o nome certo para levar às telas a história de Satine e Christian, embalada por hits imortais dos mais variados gêneros musicais e com um visual que salta aos olhos do espectador, graças ao show de cores e luzes que iluminam as noites de verdade, beleza, liberdade e amor que só o Moulin Rouge! é capaz de proporcionar.













































