“SONETO DA BUQUINAGEM
Buquinemos, amiga, neste sebo.
A vela, ao se apagar, é sebo apenas,
e quero a meia-luz. Amo as serenas
angras do mar dos livros, onde bebo
— álcool mais absoluto — alheias penas
consoladas na estrofe, e calmo, e gebo,
tiro da baixa estante sete avenas
em sete obras que pago e que recebo.
Amiga, buquinemos, pois é morta
Inês de antigos sonhos, e conforta
no tempo de papel tramar de novo
nosso papel, velino, e nosso povo
é Lucrécio e Villon, velhos autores,
aos novos poetas muito superiores.”
Carlos Drummond de Andrade
Buquinagem é uma traquinagem de Drummond. Posso estar errado, mas até onde sei… na verdade até onde eu tenho forças, o Houaiss, com seu peso elefantino, fica na estante até a próxima postagem…. não existe em português nem Buquinagem e nem buquinemos. Ambas podem ser substituidas, vulgarmente, por “garimpagem” e “garimpemos”. O Bouquiniste, na França, é o vendedor de livros velhos, como aqui são os Sebos. Lá, a palavra deriva do cheiro do bode, aqui ficamos apelidados com o manusear sebento dos livros, por isso sebo, lá a designação dos pobres coitados ficou por conta do cheiro dos livros, das encadernações velhas feitas em couro ordinário de bode… eita profissão marginalizada verbalmente… acredito que deva ter sido praga de cliente, só pode!… Alguém não quis dar desconto e acabou apelidado!