Entrevista com Monteiro Lobato


Não, relaxeem, não virei médium, não fui numa mesa branca e nem fiz a brincadeira do copo. Se a família do ilustre escritor briga até quando batem foto do túmulo do pai da Emília no cemitério da Consolação, coitado daquele que se meter a besta em “psicografar” o imortal Lobato.

Um amigo meu, o Thiago Chiavegatti, postou outro dia o link de uma entrevista para a rádio Record que o Monteiro Lobato deu em 1948, dois dias antes de falecer. O material, de posse da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, está no youtube e agora aqui reproduzido, espero que curtam.

Ah, em tempo, o reporter que fez essa matéria foi o Murilo Antunes Alves, falecido esse ano e um dos mais antigos de sua profissão ainda na ativa.

A primeira vez a gente não esquece…


A primeira vez que saí do Brasil foi para passar o Natal e o Ano Novo viajando pelo Chile, isso há mais de 10 anos. Eu, minha amiga Beth, sua filha e seu neto tínhamos um projeto ambicioso: alugaríamos um carro em Santiago e iríamos até Chiloé. Quem já viajou com criança pequena deve estar dando risada, afinal, vencer mais de mil e duzentos quilômetros em pouco mais de cinco dias não é uma tarefa fácil. O mais longe que conseguimos chegar foi a Concepción e detestamos a cidade. Ficamos em um hotel de que até hoje nos recordamos como “Motel Bates”. Se Hitchcock tivesse conhecido aquele lugar, creia-me, Psicose seria muito mais assustador… De Concepción fomos à pequena cidade de Dichato, onde acabamos sendo “adotados” pela vizinhança ao alugarmos uma casa para passar a virada de 1997 para 1998. O Igor, então com menos de dez anos, era o único loirinho da rua. Lembro que uma chileninha muito simpática, e gulosa, carregava-o para cima e para baixo em seus folguedos, para ciúmes dos chileninhos do bairro.

Lembro especificamente da passagem do ano, quando os vizinhos se reuniram para a queima do “Momo”, uma espécie de malhação do Judas. Eles constroem espantalhos e queimam à meia-noite, simbolizando que todas as coisas ruins fiquem no ano que passou. Tomamos uma tal de “Cola de Mono”, ou Rabo de Macaco, um drinque típico, na casa de uns vizinhos: o pai da chileninha companheira do Igor, que era caminhoneiro, e até para a Ilha de Páscoa já tinha ido.

Recentemente vi nos noticiários como ficou Dichato depois do terremoto e do maremoto que o seguiu. A roda gigante do parque está no meio da cidade destruída, barcos, idem. Fico me perguntando o que houve com todos os que nos receberam tão bem enquanto, saudoso, pego uma pedra e uma grande concha que encontrei na praia local e que estão na minha estante. Uma catástrofe dessas pode destruir tudo, mas não destrói a lembrança e muito menos a solidariedade. Se você, assim como eu, tem lembranças adoráveis de cada vez que voltou ao Chile, eis como ajudar:

Doações em Dinheiro
As doações estão sendo canalizadas para a Unicef y por Direct Relief International. Pode-se doar através do seguinte site: http://www.google.com/relief/chileearthquake/. Tambem pode ser feita doação através do Citibank, Conta corrente Nº 9941973331, Código ABA:021000089, Dirección: 153 east 53 Rd. Street 4th floor. New York, Ny 10022.

As Embaixadas e Consulados também estão fazendo sua parte. Os contatos seguem abaixo:
Embaixada da República do Chile – Brasília – DF
Endereço: SES – Av. Das Nações, Q.803, Lote 11
Cidade: Brasília
Estado: Distrito Federal
Pais: Brasil
CEP: 70.407-900
Telefone: (0xx61) 2103-5151
Fax: (0xx61) 3322-0714 / 2966
Email: embchile@embchile.org.br
Site: http://www.embchile.org.br/
portal do Chile no exterior: www.chileabroad.gov.cl

Consulado-Geral da República do Chile – São Paulo – SP
Endereço: Avenida Paulista 1009 – 10º andar
Cidade: São Paulo
Estado: São Paulo
Pais: Brasil
Telefone: (0xx11) 3284-2044 /2185 /2148
Fax: (0xx11)3284-2097
Email: cgspaub@attglobal.net
Site: http://www.congechilesaopaulo.org.br/
Jurisdição: SP/DF/GO/TO/PA/AP/AM/RO/MT/RO/AC
Expediente: das 9:00 às 12:00 h, de Segunda a Sexta-feira

O que Shakespeare tem a ver com Paris?


Tudo! Não é mistério para ninguém que os intelectuais de todo o mundo preferem se esbaldar na Cidade Luz há séculos. Mas parece que os ingleses e os norte-americanos fizeram disso uma arte. Entre um caso e outro, Henry Miller escrevia, entre um porre e outro, Hemingway compunha um clássico, entre ciúmes e quebradeiras memoráveis, o casal Zelda e Scott Fitzgerald deixou testemunhos bem realistas dos “anos loucos”.

E onde entra Shakespeare nessa história? Em Paris, óbvio!

No início dos anos 20 do século passado, a americana Sylvia Beach criou em Paris a livraria Shakespeare and Company, especializada em literatura inglesa. O local tornou-se lendário, tanto por seus frequentadores quanto por suas histórias. Uma que vale a pena contar: a audaciosa livreira foi a única que teve coragem de publicar o livro Ulisses, de Joyce,  tido como imoral pela sociedade da época. Mas, imoral por imoral, ela também levava a fama, já que mantinha um relacionamento homossexual com Adrienne, a primeira livreira parisiense.

Sua aproximação com o escritor irlandês acabou, porém, por custar-lhe a livraria. Em 1941, com Paris tomada pelos nazistas, um oficial alemão enamorou-se de uma primeia edição de Finnegan’s Wake, autografado por Joyce, que ficava exposto na vitrine. Como Sylvia recusou-se a vendê-lo o alemão ameaçou apreender todas as obras. Antes que isso acontecesse, ela fechou a Shakespeare and Company e guardou o acervo em um local seguro.

Mas isso não é o fim da história, muito pelo contrário.

Dez anos depois surgiu um norte-americano da geração Beat, George Whitman, sobrinho em algum grau do poeta Walt Whitman, que resolveu montar uma livraria só de autores ingleses em Paris. A segunda Shakespeare and Company foi nomeada sob as bênção de Sylvia, de quem se tornou amigo.

Localizado na Rue de la Bûcherie, 37, em um antigo mosteiro do século XVI, a livraria é o único lugar do mundo em que a bagunça pode ser considerada bela. O lugar é maravilhoso; em suas estantes, você pode encontrar primeiras edições inglesas misturadas com obras atuais, e em alguns cantos existem camas. Exatamente, camas!, onde escritores que estejam de passagem por Paris podem passar a noite. Mas com a condição de trabalhar, ao menos duas horas por dia, na livraria. Para ser aceito como hóspede nesse templo da literatura é necessário que o escritor, ou aspirante, escreva uma pequena biografia de uma página. George lendo e gostando, você já tem onde dormir na cidade. A filha de George, Sylvia Beach Whitman, homônima da primera proprietária da Shakespeare and Company, conta que o pai tem um arquivo com mais de 80 mil biografias dos hóspedes que já passaram por lá.

Como George tem mais de 95 anos, a livraria, hoje, está a cargo da filha, que modernizou recementemente o local, apesar do protesto do pai e de alguns antigos clientes. Instalou um telefone há cerca de cinco anos, e com ele vieram um computador, a internet e um site. Mas eles estão longe de ter muitas preocupações com concorrência. Faturando mais de um milhão de euros por ano, não estão ligando muito para as megalivrarias. O assunto deles é long sellers, livros que continuarão a ser lidos, como Shakespeare, ao longo dos séculos.

O fato de serem especializados em inglês, em plena Paris, também é um chamariz para turistas e estudantes de passagem pela cidade. Além da parte aberta ao público, Sylvia mantém um outro salão fechado a sete chaves. Lá entram poucos e escolhidos clientes e saem menos livros ainda. O último foi um sobre magia, editado no século XV, que foi comprado pelo Museu Britânico pelo equivalente a 13 mil reais.

O que Morto, Doritos e Igreja têm a ver com o Super Bowl?


Tarde de domingo, 7 de fevereiro, final do campeonato de futebol americano. Enquanto a maioria dos pastores dos Estados Unidos torcerão o nariz, pensando na baixa que o Super Bowl produz sobre a frequência de suas igrejas, Erwin McManus, líder da igreja Mosaic, de Los Angeles vai estar de olhos bem grudados no grande jogo, principalmente no intervalo comercial. Sua igreja está entre os seis finalistas de um concurso promovido pelo fabricante dos salgadinhos Doritos para a escolha de três comerciais de 30 segundos a serem veiculados nos intervalos da partida.

A Mosaic produziu um anúncio bem criativo, baseado em um conto de Gabe Trevino, Casket (Caixão), em que o autor se refere ao pedido de um parente, que queria ser enterrado com cerveja e cigarro. A adaptação, superdivertida, mostra o velório de um homem que assiste ao Super Bowl dentro de um esquife carregado de Doritos.

Se você gostou, vote nesse vídeo.

Depois de ser escolhida entre os seis finalistas, a igreja iniciou uma forte campanha para angariar os votos populares que definirão os três vencedores. O comercial mais votado, além de garantir prestígio, renderá um prêmio de 1 milhão de dólares aos produtores. Para Erwin McManus, participar do concurso é uma oportunidade de mostrar a relevância e a contextualização da fé cristã. “Não estamos tentando usar a marca Doritos para propagar uma mensagem, mas queremos que as pessoas saibam que temos senso de humor, e que rir é uma coisa muito boa. É possível ter fé e aproveitar a vida”, afirmou o pastor, que prefere ser chamado “arquiteto cultural”.

O pastor Erwin MacManus é autor de Uma força em movimento, da Garimpo Editorial.

Pois é, estou de volta…


Depois de um longo e tenebroso inverno - falar de frio no calor que tem feito é mais do que figura de linguagem, é saudosismo mesmo -, estou de volta, após um complicado caso ocular.

Não vou atormentá-los com as minhas mazelas, não se preocupem. Apenas dizer a velha e batida frase,”há males que vêm para o bem”. De molho, sem poder torrar a minha pobre córnea diante de um monitor, consegui, no escuro, em silêncio e repouso, fechar a trama de um livro que vinha bolando, e agora emerjo com um romance de suspense acabado envolvendo história de São Paulo, sociedades secretas, construções antigas e até túmulos do Cemitério da Consolação. Não, não, ainda é cedo para me chamarem de Dan Brown brasileiro, parem com isso, por favor :-)

Comecei a procurar algumas editoras para mandar os originais…. A pesquisa foi desoladora. Tem editora de renome no Brasil que simplesmente não atualiza o seu site. Das grandes, achei bastante legal a Rocco, por certo uma das que mais demonstra e exige profissionalismo: só aceita originais que sigam juntos com uma cópia do registro na Fundação Biblioteca Nacional. Existem outras, como a Globo, que aceitam o manuscrito via e-mail. Umas dão prazos de até um ano, outras chegam a cogitar 90 dias para uma resposta. Outras… Bem, outras funcionam no esquema de “não nos procure, nós o procuraremos, se valer a pena”. Para saber se estão aceitando originais é uma tortura. Obter qualquer esclarecimento via e-mail de como proceder? Esqueçam.

Mas também, fico pensando. Um pé rapado, sem nome, tentando chegar até alguma grande editora, é como um zé-ninguém indo pedir empréstimo no banco sem garantias… Até que elas não estão tão erradas, não. Outro ponto que depõe contra o brasileiro é o trabalho que algumas editoras têm em ensinar português aos que se arvoram “novas promessas do mercado”. É mais rápido e barato mandar traduzir e editar obras estrangeiras. E os que leem os originais, então? Recomendo fortemente a leitura do recém-lançado “Os Espiões”, de Luís Fernando Verissimo (Alfaguara Objetiva, 144p. R$ 22,90), onde um leitor de originais de uma pequena editora acaba mudando sua vida graças à leitura de um romance que lhe chega às mãos… um dos raros que escapou da rotina de ser mandado diretamente para o cesto de lixo sem ao menos ser aberto… Que o meu tenha melhor sorte!

Evento Debate História e Literatura em Quadrinhos


HQ em Pauta  – Encontro de Profissionais e Leitores de Histórias em Quadrinhos acontece em São Paulo no dia 16 de janeiro e vai contar com exibição de documentário, exposição, palestra, mesa-redonda, bate-papo com autores e sessões de autógrafos.

A proliferação de quadrinhos com conteúdo histórico e com adaptações de obras literárias levanta questões que merecem um debate mais aprofundado. Se, por um lado, o poder público reconhece a importância deste tipo de leitura como material de apoio ao ensino – por meio de incentivos oficiais como o Programa Nacional Bibliotecas da Escola, do Ministério da Educação – por outro ainda há críticas de que os quadrinhos afastam os jovens leitores das obras originais.
Em sua primeira edição, o HQ em Pauta – Encontro de Profissionais e Leitores de Histórias em Quadrinhos - www.hqempauta.com - terá uma série de atividades voltadas para este debate. O evento, gratuito, acontece no dia 16 de janeiro na Biblioteca de Literatura Fantástica Viriato Corrêa, em São Paulo, das 11h às 19h.
Exibição de documentário, palestra e uma mesa-redonda estão entre as atrações. O HQ em Pauta marca também o lançamento do segundo volume da coleção História do Brasil em Quadrinhos, da Editora Europa, e que traz como tema a Proclamação da República. Os autores da obra – o roteirista Edson Rossatto e os artistas Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole – encerram a programação com um bate-papo com os leitores seguido de sessão de autógrafos.
Outros importantes profissionais dos quadrinhos, como o desenhista Spacca, o jornalista Paulo Ramos e o editor Franco de Rosa, já estão confirmados. Durante o evento, acontece o lançamento da exposição História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República - Bastidores e curiosidades históricas, que ficará no espaço até 28 de fevereiro.
O HQ em Pauta é promovido pela Biblioteca Pública Viriato Corrêa (temática em Literatura Fantástica) do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo, em parceria com a Andross Editora e com o apoio da Editora Europa.

PROGRAMAÇÃO

- 11h: Exibição do documentário Dom João Carioca, produzido pelo canal Futura

- 12h30: Horário de almoço

- 13h30: Abertura da exposição História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República - Bastidores e curiosidades históricas

- 14h: Palestra: Conteúdos históricos e adaptações de obras literárias para HQ ao longo do tempo, com o editor Franco de Rosa

- 15h: Mesa-redonda: Conteúdo histórico e literário: a nova identidade da HQ nacional?, com o desenhista Spacca e o jornalista Paulo Ramos, sob mediação do jornalista Jota Silvestre

- 16h30min: Bate-papo: Os bastidores da HQ “História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República, com o roteirista Edson Rossatto, o desenhista Laudo e o colorista Omar Viñole

- 18h: Sessão de autógrafos: História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República, Dom João Carioca, História do Brasil em Quadrinhos: Independência, Debret em viagem Histórica e Quadrinhesca , Santô e os pais da aviação, Jubiabá, A leitura dos quadrinhos, Muito além dos quadrinhos, Quadrinhos na educação e Como usar as histórias em quadrinho na sala de aula.

HQ EM PAUTA - Encontro de profissionais e leitores de histórias em quadrinhos
Data: 16 de janeiro de 2010
Local: Biblioteca Pública Viriato Corrêa (temática em Literatura Fantástica)
Rua Sena Madureira, 298 – Vila Mariana – São Paulo
Horário: das 11h às 19h
Entrada Gratuita
Informações: (11) 2943-7687
Promoção: Biblioteca Pública Viriato Corrêa, Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas e Andross Editora
Apoio: Editora Europa
Media Partner: HQ Além dos Balões

Editora Terceiro Nome faz promoção


Para comemorar o aniversário de São Paulo, a Editora Terceiro Nome está com uma promoção especial para os livros com o tema: até 25 de janeiro, o desconto é de 30% para livros comprados pelo site e 40% para os livros retirados na Editora (Rua Belmiro Braga 70 - Pinheiros - São Paulo/SP).

Confira os títulos!

Sebo A Traça com 50% de desconto


Se você está procurando algum livro, dê uma olhada no site da livraria sebo A Traça.  São mais de cinquenta mil livros em promoção, com certeza vai encontrar algo legal do tamanho do seu bolso!

HQ explica Proclamação da República


O segundo volume da coleção “História do Brasil em Quadrinhos” mostra os detalhes de um dos períodos mais conturbados de nosso País

O mais recente lançamento da Editora Europa no segmento de quadrinhos apresenta, de forma simples e descontraída, os fatos históricos - como a Guerra do Paraguai e a abolição da escravatura - que levaram o Brasil a tornar-se uma República. Também deixa claro que não foram poucas as dificuldades ao longo da vida de D. Pedro II.

Em “História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República”, estes acontecimentos são narrados pelo professor Daguerre a três crianças durante um passeio pelas ruas do Centro de São Paulo. O desenvolvimento dos personagens infantis teve a preocupação de abranger a diversidade étnica brasileira: a oriental Catarina, o negro Marcelo e o branco Gustavo, este, inclusive, um cadeirante que demonstra a mesma disposição e alegria dos amigos ao longo de toda a aventura. O ponto alto da conversa se dá quando Daguerre explica de forma divertida e didática os versos do Hino Nacional.

A HQ foi desenvolvida por Edson Rossatto (pesquisa histórica, argumento e roteiro), Laudo (desenhos e arte-final) e Omar Viñole (cores). Os autores basearam-se em diversas obras de arte sobre este período da História brasileira como forma de aproximar a adaptação aos livros da educação formal nas escolas.

Uma curiosidade para os fãs de quadrinhos: o livro traz diversas referências a importantes personalidades – desenhistas, pesquisadores e jornalistas – que colaboram com o mercado editorial brasileiro.

A obra chegou às livrarias em dezembro de 2009 e terá uma sessão de autógrafos com os autores no evento “HQ em Pauta” – www.hqempauta.com – em 16 de janeiro.

História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República
Autores: Edson Rossatto, Laudo e Omar Viñole
Editor: Manoel de Souza
Formato: 16 cm x 23 cm - 76 páginas

Capa e miolo: coloridos
Preço de capa: R$ 19,90
Venda direta: www.europanet.com.br/historiadobrasil

Paulo Schmidt, um tradutor infernal


Entre um estripador, uma herege e uma sessão de tortura envolvendo cobras e morcegos, Paulo Schmidt, tradutor do recém-lançado Diário do Diabo, nos recebeu, nos serviu um chá estranho e conversou um pouco sobre seus livros, suas traduções e a difícil vida de profissional da literatura no Brasil.

- Como foi traduzir o Diário do Diabo?

Foi altamente gratificante por causa das promessas de fortuna e poder que o autor me fez e que me estimularam muito. Eu ainda não recebi nada do que ele prometeu, mas tenho fé de que todas essas dádivas virão a mim em breve, talvez trazidas pelo Papai Noel, ou, se atrasar mais um pouco, pelo Coelho da Páscoa.

- Quais as dificuldades encontradas?

Não houve grandes dificuldades, pois praticar o Mal é muito mais fácil que praticar o Bem.

- Qual a diferença entre traduzir e escrever? Tem que ter um limite? Dá para extrapolar em algum momento? (No Diário do Diabo tinha mesmo a referência ao chá Ayahuasca?)

Ao traduzir você não pode viajar tanto na maionese quanto ao escrever, pois se trata do texto de outra pessoa; no entanto, ocasionalmente o tradutor precisa da imaginação para ser uma ponte eficiente entre a pessoa que escreveu numa língua e aquela que lê em outra. Como eu sou um grande fazedor de frases babacas de efeito, costumo dizer que “traduzir é ser fiel ao autor e ao leitor”. Esse lance do chá Ayahuasca é um bom exemplo disso. No original em inglês ele fala em “Jimson weed”, que eu poderia ter traduzido por “erva-do-diabo”, o que seria um pouco óbvio; achei que o efeito seria mais sarcástico se ele dissesse que são João estava sob efeito do “Santo Daime” ao escrever o Apocalipse.

- Primeiro Jack, o Estripador, depois a tradução da Papisa, agora a tradução do Diário do Diabo. Você nos contou durante a gravação do CastZone, sobre o Jack, sobre o seu romance a respeito da fuga de Napoleão para o Brasil. Você está se especializando nos bad boys and girls? Ou foi tudo uma coincidência?

Bom, os vilões são mais interessantes que os mocinhos. Podemos nos identificar com eles mais facilmente, já que o ser humano basicamente é um bicho ruim. Meu próximo livro vai ser um romance sobre Herodes, aquele rei bíblico que não gostava muito de crianças. O Napoleão é outro projeto, resultante de uma rigorosa pesquisa histórica, na qual fiz a estarrecedora descoberta de que ele esteve mesmo por aqui, e que tentou ser imperador do Brasil, pois tomar o poder era o que ele sabia fazer melhor. Mais detalhes serão dados no romance Boni e Betsy, com previsão de publicação no ano que vem. Cuidado para não infartarem de tanta expectativa.

- Entre um estripador, uma herege e o Diabo, o que o Paulo Schmidt faz? Dorme dentro de um caixão? Cria morcegos? Como é a vida e o trabalho de um escritor e tradutor no Brasil?

Dormir dentro de um caixão até que é uma imagem adequada para a situação de penúria vivida pelos tradutores e escritores num país onde se lê tão pouco. Já tentei criar morcegos, mas não gosto muito de animais macabros, e além disso eles não se deram bem com as minhas cobras de estimação.

- O que você recomenda para pessoas que gostam de escrever e gostariam de ver um livro seu sendo publicado? Qual conselho você daria para eles, além de pactos de sangue?

Você ficaria perplexo ao ver quantas pessoas que mal sabem ler escrevem livros. Meu conselho, portanto, é o daquele provérbio chinês: “Não ouses escrever um livro sem antes ter lido mil”.